Tendinite: o que é, causas, tipos mais comuns e como tratar em casa
Dor persistente em um tendão que piora com o movimento? Pode ser tendinite. Descubra as causas, os tipos mais comuns e o que fazer para aliviar e se recuperar.
Por Laura Mendes
6/5/20266 min read


Tendinite: o que é, causas, tipos mais comuns e como tratar em casa
Comecei a sentir uma dor no ombro que eu inicialmente ignorei — achei que era tensão muscular normal do treino. Mas ela foi persistindo, piorando com certos movimentos e, depois de algumas semanas, estava limitando até gestos simples do dia a dia. Quando finalmente busquei avaliação, o diagnóstico foi tendinite do manguito rotador.
O que aprendi nesse processo é que tendinite raramente resolve sozinha quando ignorada — mas responde muito bem ao tratamento correto quando identificada a tempo.
— Laura Mendes, criadora do Saúde Descomplicada
A tendinite é uma das lesões mais comuns em praticantes de exercício físico e em pessoas que realizam movimentos repetitivos no trabalho. Neste artigo, você vai entender o que ela é, quais são os tipos mais comuns e o que fazer para tratar e prevenir.
O que é tendinite?
O tendão é uma estrutura de tecido conjuntivo fibroso que conecta o músculo ao osso, transmitindo a força gerada pelo músculo para produzir o movimento. Cada músculo do corpo tem pelo menos um tendão — e alguns, como o tendão de Aquiles, são estruturas de grande importância biomecânica.
A tendinite é a inflamação de um tendão — geralmente causada por sobrecarga repetitiva, trauma ou degeneração progressiva. O sufixo "ite" indica inflamação — embora pesquisas mais recentes sugiram que muitos casos crônicos envolvem mais degeneração do tecido (tendinose) do que inflamação aguda propriamente dita.
Na prática clínica, o termo tendinite continua sendo amplamente usado para descrever a dor e a disfunção do tendão, independentemente do mecanismo exato.
Por que a tendinite acontece?
Os tendões são estruturas relativamente menos vascularizadas do que os músculos — o que significa que sua capacidade de reparo e adaptação é mais lenta. Quando a carga sobre o tendão supera sua capacidade de adaptação, ocorrem microlesões que, se não há tempo suficiente para cicatrizar, evoluem para inflamação e dor.
Causas mais comuns:
Sobrecarga repetitiva: movimentos repetidos muitas vezes ao longo do dia — seja no trabalho, no esporte ou em atividades domésticas — sobrecarregam progressivamente o tendão.
Aumento rápido de carga: aumentar bruscamente o volume ou a intensidade dos treinos sem adaptação gradual é uma das causas mais comuns em praticantes de exercício.
Técnica inadequada: erros de execução em exercícios físicos ou posturas inadequadas no trabalho concentram forças desnecessárias sobre tendões específicos.
Desequilíbrio muscular: quando músculos antagonistas estão desequilibrados, a biomecânica articular é alterada — aumentando a carga sobre determinados tendões.
Fatores biomecânicos: pé plano, joelho valgo, alterações posturais e outros fatores estruturais podem predispor a tendinites em regiões específicas.
Envelhecimento: os tendões perdem elasticidade e capacidade de reparo com a idade — tornando-se mais vulneráveis à sobrecarga a partir dos 40 anos.
Tipos mais comuns de tendinite
Tendinite patelar — "joelho do saltador"
Inflamação do tendão que conecta a patela (rótula) à tíbia. Causa dor logo abaixo da rótula, especialmente ao subir escadas, agachar ou após atividades que envolvem saltos e corridas.
Muito comum em voleibolistas, basquetebolistas, corredores e praticantes de CrossFit.
Tendinite do tendão de Aquiles
O tendão de Aquiles — o maior tendão do corpo — conecta os músculos da panturrilha ao calcâneo (osso do calcanhar). Sua inflamação causa dor na parte posterior do tornozelo, especialmente nos primeiros passos pela manhã e após atividade física.
Muito comum em corredores, especialmente após aumento brusco de volume de treino ou mudança de calçado.
Tendinite do manguito rotador — ombro
O manguito rotador é um grupo de quatro tendões que envolvem a cabeça do úmero, estabilizando e movendo o ombro. Sua inflamação causa dor lateral no ombro, especialmente ao elevar o braço acima da cabeça.
Muito comum em nadadores, tenistas, praticantes de musculação e pessoas que trabalham com os braços elevados.
Epicondilite lateral — "cotovelo do tenista"
Inflamação dos tendões que se inserem no epicôndilo lateral do cotovelo — a proeminência óssea na parte externa do cotovelo. Causa dor na face externa do cotovelo que pode irradiar pelo antebraço, especialmente ao apertar objetos, virar a chave ou digitar.
Apesar do nome, é muito mais comum em pessoas que realizam movimentos repetitivos com o punho no trabalho do que em tenistas.
Epicondilite medial — "cotovelo do golfista"
Similar à epicondilite lateral, mas na face interna do cotovelo. Causa dor ao flexionar o punho e ao apertar objetos.
Tendinite do tibial posterior
Inflamação do tendão que sustenta o arco do pé, na face interna do tornozelo. Causa dor e inchaço na parte interna do tornozelo, especialmente em pessoas com pé plano.
Tendinite do bíceps
Inflamação do tendão do bíceps braquial na região do ombro ou do cotovelo. Causa dor na parte anterior do ombro ou do cotovelo, especialmente ao dobrar o braço ou girar o antebraço.
Como identificar uma tendinite?
Os sintomas variam conforme a localização, mas geralmente incluem:
Dor localizada sobre o tendão afetado, que piora com o movimento específico que usa aquele tendão
Dor que melhora com repouso e piora com atividade
Rigidez — especialmente pela manhã ou após longos períodos de inatividade
Sensibilidade ao toque ao longo do tendão
Possível inchaço leve na região
Em alguns casos, sensação de rangido ou crepitação ao mover
O que fazer para tratar a tendinite em casa
1. Repouso relativo — não absoluto
O repouso absoluto raramente é indicado e pode até prejudicar a recuperação — os tendões precisam de carga adequada para se reparar. O que é recomendado é o repouso relativo: evitar os movimentos específicos que provocam dor enquanto mantém o restante da atividade física.
Por exemplo: tendinite patelar → evite agachamentos e corridas, mas continue com exercícios de membros superiores e natação.
2. Gelo nas fases agudas
Nas primeiras 48 a 72 horas de uma crise aguda de tendinite, aplique gelo por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia. O frio reduz a inflamação e a dor.
Após a fase aguda, calor pode ser mais indicado para melhorar a circulação local e facilitar os exercícios de reabilitação.
3. Exercícios excêntricos — o tratamento mais eficaz
Os exercícios excêntricos — em que o músculo se alonga enquanto está contraído, como na fase de descida de um agachamento — são o tratamento com maior evidência científica para tendinites crônicas.
Eles estimulam a reorganização das fibras do colágeno no tendão e promovem a remodelação do tecido degenerado.
Exemplo para tendinite patelar — agachamento excêntrico: Em pé em uma escada ou degrau, com o peso no pé afetado, desça lentamente (4 a 6 segundos) até o ângulo de 60 graus. Use o pé não afetado para subir. Repita 15 vezes, 3 séries, 2 vezes ao dia.
Importante: os exercícios excêntricos causam dor leve durante a execução — isso é esperado e não significa que você está piorando. Dor que vai além de leve a moderada indica que a carga está excessiva.
4. Corrija a causa — não apenas o sintoma
A tendinite raramente aparece sem um motivo. Identificar e corrigir a causa é fundamental para evitar recidiva:
Revise a técnica dos exercícios
Ajuste o volume e a progressão do treino
Corrija desequilíbrios musculares
Ajuste a ergonomia do posto de trabalho
Revise o calçado
5. Fisioterapia
Para tendinites persistentes — que não melhoram após 4 a 6 semanas de cuidados em casa — a fisioterapia é fundamental. O fisioterapeuta pode identificar a causa biomecânica, prescrever exercícios específicos e utilizar recursos como ultrassom terapêutico, laser e ondas de choque.
O que evitar durante o tratamento
Movimentos que provocam dor aguda
Aumentar bruscamente a carga de treino
Ignorar a dor e continuar treinando normalmente
Uso excessivo de anti-inflamatórios sem orientação médica — eles podem mascarar a dor sem tratar a causa
Injeções de corticoide repetidas — podem enfraquecer o tendão e aumentar o risco de ruptura
Quando procurar avaliação profissional?
Dor intensa que limita atividades básicas
Ausência de melhora após 4 a 6 semanas de cuidados em casa
Inchaço significativo ou deformidade visível
Sensação de estalo seguida de dor intensa — pode indicar ruptura de tendão
Dor que piora progressivamente apesar do tratamento
Como prevenir a tendinite
Progrida gradualmente no treino — nunca aumente mais de 10% do volume por semana
Aqueça adequadamente antes dos treinos
Fortaleça os músculos que protegem os tendões mais vulneráveis
Inclua exercícios excêntricos na sua rotina preventivamente
Descanse o suficiente entre sessões
Use calçados adequados para cada atividade
Leia também nosso artigo sobre dor muscular após o treino para entender melhor como cuidar do corpo em recuperação. 💚
Conclusão
A tendinite é uma lesão comum, dolorosa e frequentemente subestimada — mas tem tratamento eficaz quando abordada corretamente. A chave está em não ignorar os sinais precoces, identificar a causa e ser consistente com os exercícios de reabilitação.
Com os cuidados certos, é totalmente possível se recuperar e voltar às atividades que você gosta — com mais conhecimento sobre como proteger seus tendões no futuro. 💚
Fontes e referências
American Academy of Orthopaedic Surgeons — Tendinite: orthoinfo.aaos.org
British Journal of Sports Medicine — Exercícios excêntricos para tendinite: bjsm.bmj.com
Mayo Clinic — Tendinite: causas e tratamento: mayoclinic.org
American Physical Therapy Association — Reabilitação de tendões: apta.org
Escrito por Laura Mendes Criadora do Saúde Descomplicada. Escrevo sobre saúde e bem-estar por experiência própria — porque já precisei muito dessas informações e sei como é difícil encontrar conteúdo confiável e simples ao mesmo tempo. Aqui compartilho o que aprendi para ajudar pessoas como eu. 💚
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Em caso de dor persistente ou intensa, consulte um médico ortopedista ou fisioterapeuta.
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